2009-09-18

Aviso: Comentários quebrados e novo layout

Esse blog é mais escrito do que lido, mas aos meus raros e preciosos leitores: os comentários estão quebrados. Comentaristas são ainda mais raros (João e Nemo).

Desculpem o inconveniente. 

Isso deve ter sido um dos experimentos que fiz... Então vou fazer o seguinte: só faço outro post se atualizar o layout. A coluna é muito fina, não tem barra com sobre, faq e etc, não tem preview dos posts (eles aparecem completos na raiz), os comentários estão bugados, não tem data em todas os posts, até os dados de autoria eu acho ruins... Então é isso: em breve cara nova!

2009-09-11

Prefácio: Comparando

Comparações tendem a ser perigosas, inúteis e por vezes ruins. Mas vou fazer algumas a respeito de alguns autores e suas obras (sagas literárias). Vou começar com J. K. Rowling, Stephenie Meyer e Christopher Paolini. Num outro dia eu publico uma comparando Dan brown e Cecily von Ziegesar.

Paolini, Meyer e Rowling: O dragão, a vampira e a maga


Comparar esses três é uma tarefa interessante. Meyer é sem sombra de dúvidas o fenômeno literário mais recente. A literatura deles é interessante no sentido que é devorada por jovens. Meyer parece algumas vezes ter a mesma habilidade que Cecily von Ziegesar, autora da série Gossip Girl: conseguir conquistar o exigente público feminino adolescente.
Kevin Smith disse algo que me fez repensar Meyer. Ele disse que ela é a nova geração. Temos de aceitar isso. Tanto em Twilight quando em New Moon, Meyer narra em primeira pessoa de um modo bem interessante. Ela consegue fazer a pessoa sentir a aflição da narradora em relação ao ambiente e aos sentimentos.
Paolini, autor de Eragon, Eldest e Brisingr, escreve para outro público: nerds. Gente que já devorou todas as versões possíveis do mundo fantástico criado por J. R. R. Tolkien. Paolini é um descritor. Tem um vocabulário mais elaborado do que o de Meyer, e se preocupa muito mais com descrições que a autora dos vampiros brilhosos...
Lady Rowling é com certeza a mais bem sucedida dos três. Ela tem uma habilidade narrativa que a faria com certeza ser uma autora de ótimos romances policiais. Aí parece estar a mágica do Harry Potter: colocar esses mistérios numa ambientação bem particular e desenvolver a trama com um conjunto de personagens fácil de se identificar.
Paolini se preocupa muito em ficar a sombra do professor Tolkien com línguas elficas e criando elfos perfeitos. Com certeza comparado a Meyer e Rowling é o que tem mais dificuldades de fazer o público se identificar com as personagens, principalmente a personagem protagonista.
É muito fácil as adolescentes se identificarem com a narradora de Meyer,, Isabella "Bella" Swan,  é uma menina sem uma beleza exuberante, suficientemente aplicada, que tem alguns problemas com os pais como toda adolescente. Harry e seus amigos são alunos de uma escola de magia. Mas lá tem tudo que costuma cercar a maioria dos estudantes “trouxas”: professores divertidos, simpáticos, sérios, intragáveis; colegas concorrentes, melhores e menos hábeis; inimizades, amizades, paixonites e paixões.
Paolini tem uma personagem principal que é um fazendeiro caçador, que voa montado num dragão. Talvez seja o sonho de muitos nerds, mas o caso é que não é tão fácil se identificar com ele. Claro que o cavaleiro tem preocupações bem semelhantes a muitos dos leitores, como se apaixonar por uma garota mais velha. Ou no caso, por uma mulher bem mais velha.
A série Harry Potter de Lady Rowling é um ensaio muito interessante sobre a força do amor. Esse parece ser o que ela quer comprovar em sete volumes. Algumas pessoas dizem que a história de Rowling não tem profundidade. No geral parecem ser fãs de professor Tolkien. O caso é que Tolkien gastou muito tempo criando um ambiente, línguas (como faz Paolini). Lady Rowling se preocupou em dar complexidade as personagens. Harry por exemplo é um garoto de boas intenções, mas um mentiroso, trapaceiro, metido a herói.
Enquanto as personagens do professor Tolkien são planas as de Lady Rowling são bem mais elaboradas. Elas tem personalidades papáveis e verossímeis. As motivações por vezes escondidas demonstram a complexidade e a ambigüidade humana. Elas mantém também uma fidelidade a sua própria natureza que é marcante. Elas não são simplesmente aquilo que você julga, quase como um humano real.
A construção do vilão de Lady Rowling é muito bem elaborada. Apesar da aparente predeterminação que ele teria recebido, é marcante o quanto dele é determinado pelas escolhas.
Rowling parece deixar transparecer que ás vezes fazer o bem envolve quebrar as regras... Seus protagonistas não se envergonham de mentir, burlar e responder no olho por olho.
A série Twilight fica numa articulação mais piegas. Apesar de também tratar do poderoso amor retratado na obra de Lady Rowling, Meyer costuma fazer escolhas mais simples. Se resumindo a contar uma estorinha de amor e paixão, encontros e desencontros amorosos, a batalha contra a escuridão se torna plano de fundo.
Comparando, Lady Rowling deixa claro quem é mal e quem é bom pelas facções que as pessoas escolhem. Mas o mundo dela está longe de ser simples assim, como ela mesmo alerta: “O mundo não está dividido entre pessoas boas e comensais da morte”. Meyer resolve truncar: porque esclarecer o que é certo e o que é errado se o ser humano é tão difuso? Por simplificação as pessoas não são boas nem más.
Talvez essa simplificação seja feita pelos olhos da protagonista e narradora. Sabe aquela pergunta irônica: ela é especial, tipo deficiente? Bella é tão doente que acha que o mundo dos vampiros é maravilhoso.
E através de Bella a natureza das facções se torna turva e embaçada. Quem é bem e quem é mal? Esse tipo de confusão costuma ser associado ao demônio: criar um desentendimento do que é certo ou do que é errado. Fica difícil escolher um lado e isso é fundamental nas estórias clássicas do Bem contra o mal. Mas Meyer descarta isso e deixa tudo no lado das impressões: as vezes se tem a impressão que os vampiros são bons, mesmo eles sendo amaldiçoados bebedores de sangue; as vezes se acha os lobisomens maus, apesar da condição natural deles de defensores dos humanos; e por aí vai.
A percepção da narradora é um prisma. Lady Rowling utilizou de mecanismo semelhante, mas através de outras técnicas. Colocar o leitor como um observador atrelado ao garoto Potter, mas não através dos olhos dele, tem efeitos semelhantes embora não se possa argumentar que aquela percepção é a dele. Com Bella não há escapatória, estamos enclausurados nas limitações de percepção dela e na interação dela com as personagens.
Em síntese a saga de Meyer é um argumento ao amor entre forças desiguais, mas também é uma ode a capacidade do amor de florescer nos corações mais amaldiçoados. Piegas... mas é verdade. Mesmo que para isso seja necessário comer o fruto proibido, que todo mundo lembra que é o pecado original. Estaria ela elaborando um argumento a respeito da redenção dos pecados? Salvação dos amaldiçoados? Não é o que ela andou dizendo, mas se eu ler a metade final da saga posso até discordar depois.
O Ciclo da Herança (antiga “Trilogia da Herança”) não é sobre amor, é sobre virtude. É sobre fazer a coisa certa. Paolini usa do argumento que o que é certo varia conforme as culturas. Conforme ele mostra as diferentes facções, facções de criaturas que até mesmo não são estritamente humanas, o que é certo fica em perspectiva. A busca pela virtude é uma busca individual.
Claro que o Ciclo da Herança faz diversas alegorias. Alegorias a força do amor, alegorias ao guerreiro perfeito, alegorias a natureza das coisas que não são exatamente humanas. Alegorias até sobre a fé.
Paolini resolve usar muito da influência da sociedade nas suas histórias. Os interesses políticos são realmente relevantes na sua obra. E fazer alianças justificadas por uma causa maior nem sempre é suficiente para que os membros daquelas sociedades vejam isso. As diferenças entre os seres ficam ainda mais distintas no ambiente de Paolini, do que no de Meyer ou mesmo de Rowling. Essas diferenças são importantes nas obras das duas, mas na de Paolini são fundamentais.
Paolini discorre muito mais sobre a justiça, e aqueles que tem o dever de a executar. Meyer e Lady Rowling enevoam o que é certo e o que é errado com as percepções das personagens, Paolini trata de algo diferente: o que é justo a despeito das percepções das personagens. As personagens de Meyer e Lady Rowling são cidadãos, enquanto os de Paolini são legisladores e executores da justiça. Cedo o protagonista de Paolini é alertado de que ele é um executor da justiça, mas ele vai continuar se complicando com isso várias vezes.
E Paolini joga o foco narrativo entre diversas personagens além da sua protagonista, todas elas dotadas de deveres na sua posição de líderes. E estão lá: todas as coisas mundanas que fazem os humanos falharem, mais do que os grandes desafios à causa propriamente dita.
A percepção de lutar por uma coisa maior que o indivíduo é forjada na obra de Paolini pelo martelar repetitivo do argumento. A despeito disso as mediocridades humanas, mesmo na figura de outras criaturas, sempre aparecem para complicar a jornada.
Paolini não terminou sua saga, mas até agora ela parece um argumento a se dedicar a uma causa maior, e os contratempos e dificuldades que ser humano, ou qualquer coisa próxima disso, infligem a essa luta por justiça e uma causa mais elevada.
As semelhanças óbvias de mundos mágicos, repletos de criaturas fantásticas são apenas a ponta do iceberg. É literatura fácil? É sim, eles tem um compromisso de entreter os leitores e não fogem a isso, mas em cada um deles há um retrato da comédia humana... Distorcida por toda a magia disponível no cenário, mas ainda assim uma interessante especulação sobre o comportamento dos seres humanos. Estórias a respeito de coisas mais importantes do que a própria pessoa. Meyer tem um hiato nesse aspecto, mas a colocação de que o amor é mais importante do que a condição das pessoas se aproxima.
Justiça, Amor, mal e Bem. Histórias tratando de coisas tão maiores que o ser humano, e mesmo assim sendo ele responsável pela importância dessas coisas. Estilísticas distintas é verdade, públicos semelhantes, mas não iguais. Resumir que elas são infantis, imaturas ou rasas é uma avaliação primária, talvez até preconceituosa. É claro que eles tem seus defeitos.
Paulini se apega muito a grandiosidade de sua causa e aos interesses políticos na sua narração... As vezes fica chato. A fixação que ele tem em relação a magia e a decantá-la em algo lógico é por vezes chata e repetitiva.
Meyer é repetitiva, principalmente nas descrições do tal Edward Cullen. A pouca profundidade das personagens é chata, mas o provável argumento é manter a leitura prazerosa. Algumas das concepções dela para os vampiros são bobas. A apresentação inicial de vampiros tão bonzinhos é irreparável, ainda mais sob o olhar limitado de Bella. Ser piegas é apenas outro defeito. É claro que o amor é a força motriz, mas se limitar a isso, esquecer da causa maior é muito restrito, quase medíocre.
O cenário de Lady Rowling é mais limitado, e por vezes mais difícil de aceitar, de perceber palpável. Ela até tenta se redimir no volume final, mas não foi bem sucedida. Pequenas inconsistências estruturais também estão presentes, mas talvez estejam nas obras de Paolini e Meyer, mas não posso afirmar por falta de releitura das sagas deles. Outra coisa é a falta de extrapolação dos limites da magia. A magia é uma coisa meio e infantil e o controle sobre ela um pouco obscuro, talvez até mal definido. Enquanto Paolini faz demais com a magia, Rowling as vezes faz de menos. Apesar de seu foco narrativo estar ligado a um acontecimento único e importante na magia, a visibilidade das possibilidades da magia se encerra na própria trama.
Em relação a Paolini e Lady Rowling é muito mais notável e aplicável a consideração sobre ficção especulativa: magia e tecnologia são inúteis. A verossimilhança é um adversário terrível em obras de ficção especulativa e a dose, ou costuma ser exagerada, como Paolini, ou diluída, como Rowling. O equilíbrio é difícil. Meyer tem (até onde li) um mundo fantástico muito mais controlável a necessidade dela, mas também exagera: os vampiros são a danação humana, simplesmente irrefreáveis, praticamente não tem adversários, além deles mesmos. Exagerou na dose, apesar de usar o que pode ser definido mais como sobrenatural do que propriamente mágico.
E o que concluir? Que você deve ler. Não são obras perfeitas, mas são leituras agradáveis, se não se identificar com uma vai acabar se identificando com outra. Todos os três são atentos a tarefa de entreter o leitor e tem mais do que pode parecer, como toda obra de ficção especulativa deve ter. Que bom que há escritores que conseguem cativar os leitores num mundo tão cheio de estímulos multimídia como o atual. E por conclusão: eles cativam pois tem habilidade literária para isso.

Dúvida Cruel: O que fazer quanto a tanto a se aprender, e pouca vontade de aprender o que quer que seja?

2009-09-10

Dor, tinta e adorno


É difícil definir pra mim o que é tatuagem. É uma coisa tão pessoal que me parece quase inefável. É estranho também, afinal ainda não tenho nenhuma, mas quero ter algumas.
É uma coisa tão clara pra mim que nem entendo gente que não as acha interessante. Não é uma questão de achar bonito. Tem gente que marca o corpo com coisas feias. Então vamos começar explicando minha opinião a respeito dos argumentos contra o assunto.
“Você pode se arrepender”. Esse é clássico. Chega a ser brega. Digo duas coisas pra começar. Um: Se você não se arrepender de mais nada na vida, não vai ser de uma tatuagem que vai conseguir. Dois: Arrependimento faz parte da vida. Se não pudesse se tornar uma marca de arrependimento seria frívola como um par de brincos que se usa um dia e outro não. Não seria uma definição como realmente deve ser.
“Dói pra fazer”. Dói pra tirar também... Dói parir e tua mãe te pariu. A dor é outra coisa da natureza. É inescapável. E essa você pode escolher pelo menos o tamanho da aflição.
“As pessoas tem preconceito contra gente tatuada”. É. As pessoas tem preconceitos contra negros, mulheres, velhos, crianças, homossexuais, estrangeiros e toda sorte de característica humana. Enquanto as pessoas se reprimirem pelo preconceito ele vai imperar. O que um pouco de tinta diz sobre meu caráter? Tanto quanto a cor da minha pele, dos meus olhos, meu sexo ou orientação sexual... E olhe que essas coisas nasceram comigo. Diz tanto quanto minhas roupas... Pois elas costumam ser questão de escolha. Mas será que as pessoas não aprenderam ao longo dos milênios a esconder quem são por trás de máscaras e vestimentas? Já vi gente tatuar “orgulho gay”. Diz muito sobre o caráter da pessoa. Diz de forma direta, e ofensiva para alguns. Mas não por causa da tinta impregnada na pele, mas pela natureza da assertiva, pelo conceito em si. Independente das tatuagens as pessoas vão ter preconceitos contra mim (algumas vezes a meu favor). Mas preconceitos não me encapsulam, não me definem, nem a ninguém.
“Quando eu envelhecer ela vai deteriorar”. Assim como o resto do seu corpo, cara-pálida. Não há escapatória do tempo. É uma parte de você, de seu corpo. Vai se desgastar com o tempo, do mesmo modo que tudo mais.
“Não quero ser marcado como gado”. Se estivéssemos sob o regime nazista essa afirmação faria sentido, mas não conheço ações forçadas para a pessoa ser tatuada. Como há mais coisa nesse mundo do que as vezes se gostaria de imaginar, não vou dizer que não existe, mas o caso é que estamos tratando da liberdade de escolha.
“Minha religião proíbe”. Que pena... Com tantos dogmas as vezes nem é possível perguntar o porquê, mas é assim mesmo. Se isso for mesmo uma ofensa a Deus, então terei de pagar. Mas enquanto minha compreensão não mudar, não vou acreditar que alguém que tatue uma cruz, um anjo, estrelas e flores, ou uma instância qualquer do talento humano com o qual fomos tão piedosamente agraciados, vá afrontar o Todo-Poderoso. Se você acredita que vai, não faça... Exercite a sua crença. Dê aos outros o direito de exercitar as deles.
“É uma inflamação permanente”. Tem os médicos, enfermeiros e etc. que argumentam. Viver é uma batalha contínua contra as pragas que assolam a humanidade. Não deve ser mais perigoso do que andar de carro. As pessoas fumam... E o mais longe que vão viver é morrer dos efeitos do cigarro (pode ser que morram antes...). É um exercício de escolha. Quero ver um médico provar que tatuagem vai no final ser a causa da morte da criatura. Isso uma generalização, não achar uma meia dúzia de casos entre os milhões de tatuados na história da humanidade.
Há mais argumentos... Mas não acredito que nem cem contra-argumentos sejam capazes de mudar uma compreensão. Compreendo que há dor envolvida. Compreendo que nem sempre é feito sob as melhores influências. Compreendo que há riscos. E compreendo que a vida é cheia disso que pode ser definido pelas intenções, assim como é cheia do que pode ser definido pelos resultados.
Tem gente que vai fazer tatuagem por rebeldia. Tem gente que fez e ainda faz e continuará fazendo por questão de cultura e credo. É uma ferramenta, você escolhe a utilização. Uma tatuagem não é má, nem boa. Pode ser religiosa, ou pagã, e pode não ser nenhuma das duas. Pode ser a descrição de um caráter, ou um mero adorno.
Não há como escapar da dor. Talvez haja como escapar da dor da tatuagem... Um absurdo! Mas não há como escapar de outros tipos de dor. E a ligação da tatuagem, com essa coisa tão mundana, tão humana quanto a dor começa a definir o que há de belo nela.
Dor faz parte da natureza humana. Viver dói. Arrepender-se dói. Crescer dói. Outra coisa que faz parte da vida são as escolhas. Se a pessoa sabe que vai doer, sabe, mas mesmo assim faz ela está dando um passo na direção da superação da dor. Quantas pessoas tem medo da dor? As vezes ela é necessária. É uma parte do preço que se paga pelas escolhas. Se não doesse não teria sentido. Não teria valor.
Mas e pra mim o que é tatuagem? É difícil explicar... Se não doesse não teria sentindo. E não consigo explicar o sentido de ter de doer. Se não fosse para o resto da vida não valeria a pena. Mas não consigo descrever a justiça que há em se carregar outra pena perpétua além da própria vida. Concordo que pode ser um retrato de uma época da vida... E nem assim consigo explicar que beleza vejo nessa eterna cicatriz de um, ou de alguns, dos passos que fizeram você ser quem realmente é.
É um resultado artístico, conceitual, de escolha, para a dor do processo. É algo para a vida toda, assim como sua própria história, os filhos que você tiver, algumas escolhas que tomar. É algo que não vai lhe abandonar. É algo que pode ter passado, ou ser passado, mas faz parte daquilo que fez você ser a pessoa que se é. Pode ser algo que se arrependa, algo que se queria esconder. Não digo para ter orgulho dos erros do passado, alguns se deseja esconder... A vida é assim.
Talvez seja isso: por ser tão parecida com a vida. Por celebrar um momento dela. Por simplesmente ser bela. Por ser um produto da dor. Por ser um símbolo do seu caráter. Por todas as coisas. E por ser um simples adorno de tinta. Por não ser má, nem boa, mas ser fruto da escolha. Por ser perpétua, assim como a Sentença da Vida. Por tudo isso, e mais, acho simbolicamente linda. Mas além disso é simplesmente bela, como o que um artista põe sobre um pedaço de papel, dilapida de um bloco de mármore, impregna numa tela de linho e gesso.
Um belo símbolo, um valor artístico. E se mil palavras fossem ditas não resumiriam o sentido de uma única instância sob a pele de um único indivíduo. É claro que uma palavra refere a milhões de imagens. É claro que uma imagem é incapturável, até mesmo por milhares de palavras. E as vezes é isso: palavras e imagens. E sempre mais! São palavras, imagens e idéias num belo conjunto, resumindo e reunindo a beleza e a imensidão de cada um. Simplesmente inexplicavelmente belo, em diversos sentidos.

2009-07-30

Pensamento Humano: Lei de Herblock

"If it's good, they'll stop making it." [Se é bom, vão parar de produzir.] Herbert Lawrence Block, o Herblock

Em Tempo: Lei de Sutton e Lei de Murphy


A frase "Vá onde o dinheiro está" é atribuída a um famoso ladrão de bancos, William "Willie" Sutton. O próprio Willie nega a autoria da frase, mas ela tem um uso interessante.
O caso é que ela costuma ser ensinada em faculdades de medicina. Por que isso? Mesmo que seja mais caro e complexo fazer primeiramente exames complexos, é melhor que eles sejam feitos primeiro. Isso mitiga desastres... Se coisas graves forem percebidas primeiro elas serão tratadas primeiro (quando tem mais chance de cura...). Mas convenhamos que dizer isso para um bando de mercen... digo, estudantes de medicina, faz entender porque esses amald... digo, médicos, são do modo que são. O princípio de supor que os sintomas anunciam desastres é aplicado em diversas outras áreas além da medicina.
Apesar da Lei de Murphy ser levada na galhofa atualmente o próprio Murphy se ressentia disso. A lei tem uma interpretação séria, um verdadeiro princípio de projetar defensivamente. A lei poderia ser interpretada como: Nunca projete nada que possa ser utilizado de um modo que possa resultara numa catástrofe (por mais difícil ou absurda que seja esse meio de utilização). Mas as pessoas gostam de levar muito menos a sério as coisas do que se pensa. De todo modo, se havia um modo de utilização da Lei de Murphy que levasse a difamação, desvirtuação, e ridicularização da mesma, alguém ia escolher esse meio para usá-la...